Perguntas mais frequentes no exame de código: os temas que saem sempre
Não existe uma lista pública das perguntas que vão sair no teu exame: o Regulamento da Habilitação Legal para Conduzir proíbe expressamente a divulgação das imagens, figuras, perguntas e respostas das bases de dados do IMT, exceto quando um candidato reclama de uma prova em que reprovou. Quem promete o "banco oficial de perguntas" está a vender algo que não pode ter.
O que existe, e é público, são as unidades temáticas sobre as quais o teste incide. As perguntas cobrem toda a matéria dessas unidades e, sempre que possível, apoiam-se em figuras ou imagens de situações de trânsito vistas da perspetiva do condutor. Reunimos aqui os temas que aparecem em praticamente todas as provas da categoria B, com um exemplo resolvido de cada um — escrito por nós a partir da lei, não copiado de nenhum banco.
Porque não há uma lista de perguntas certas
O artigo 42.º do Regulamento da Habilitação Legal para Conduzir é claro: as imagens, figuras, perguntas e respostas que geram o teste não podem ser divulgadas. A única exceção é a reclamação — em caso de reprovação, o examinando pode ver as questões que errou, na presença do examinador ou do responsável pelo centro, nas quatro horas seguintes ao termo da prova.
Compete ao IMT elaborar e atualizar permanentemente as questões, e o próprio IMT mantém uma página de perguntas de exame para dar a conhecer o estilo dos enunciados. Decorar respostas não funciona, porque o enunciado muda; perceber a regra que está por trás funciona sempre.
Se um site te promete "todas as perguntas do exame de código", desconfia. Ou são perguntas inventadas por terceiros, ou são material que legalmente não podia ter sido divulgado.
Sinalização: o tema mais presente de todos
Sinais verticais, marcas rodoviárias e sinais luminosos ocupam uma fatia enorme de qualquer prova. O que mais confunde não são os sinais isolados, mas a hierarquia entre eles: as ordens dos agentes vêm à frente da sinalização temporária, esta à frente dos sinais luminosos, e estes à frente dos sinais verticais, que por sua vez prevalecem sobre as marcas rodoviárias e sobre as regras gerais de trânsito.
Exemplo resolvido
Num cruzamento regulado por semáforos, um agente da autoridade faz sinal de paragem enquanto o semáforo mostra luz verde. O condutor deve parar. A ordem do agente está no topo da hierarquia do artigo 7.º do Código da Estrada e prevalece sobre o sinal luminoso, sobre o sinal vertical e sobre a marca rodoviária.
Armadilha habitual: a luz amarela intermitente não é uma versão "mais suave" do vermelho. Obriga a avançar com prudência, e não a parar — quem para pode até ser surpreendido por trás.
Cedência de passagem, cruzamentos e rotundas
A regra geral é a da direita: nos cruzamentos e entroncamentos cede-se passagem aos veículos que se apresentem pela direita. Depois vêm as exceções, e são elas que decidem a pergunta: cede sempre quem sai de um parque de estacionamento, de um posto de combustível, de um prédio ou de um caminho particular, quem entra em autoestrada pelos ramais de acesso e quem entra numa rotunda.
Exemplo resolvido
Um condutor sai de um parque de estacionamento para a faixa de rodagem e outro circula nessa faixa, aproximando-se pela esquerda. Quem cede é quem sai do parque, ainda que o outro venha da esquerda. A regra da direita só se aplica entre veículos que circulam em vias públicas que se cruzam; quem entra na circulação a partir de um espaço privado ou equiparado cede sempre.
Nas rotundas, quem já circula tem prioridade sobre quem entra, seja qual for a via que ocupe. E ter prioridade não dispensa ninguém das cautelas necessárias.
Velocidade: tabelas, não intuição
As perguntas de velocidade quase nunca perguntam "qual é o limite" em abstrato: dão-te um veículo concreto, uma via concreta e obrigam-te a cruzar as duas coisas. Um ligeiro de passageiros sem reboque faz 50 dentro das localidades, 90 nas restantes vias, 100 em vias reservadas a automóveis e motociclos e 120 em autoestrada; com reboque, esses valores caem para 50, 70, 80 e 100.
Exemplo resolvido
Qual é a velocidade máxima de um automóvel ligeiro de mercadorias sem reboque numa autoestrada? A resposta é 110 km/h, e não 120 — os ligeiros de mercadorias têm uma coluna própria na tabela do artigo 27.º. Este é o erro mais comum de todo o tema.
Vale também guardar dois números soltos que aparecem com frequência: 50 km/h de velocidade mínima em autoestrada e 20 km/h nas zonas de coexistência.
Álcool, regime probatório e pontos
O limite geral é de 0,5 g/l de álcool no sangue. O limite reduzido, de 0,2 g/l, aplica-se a condutores em regime probatório e a vários condutores profissionais: veículos de socorro ou serviço urgente, transporte coletivo de crianças e jovens até aos 16 anos, táxi, TVDE, pesados de passageiros ou de mercadorias e transporte de mercadorias perigosas.
Exemplo resolvido
Um condutor que tirou a carta há oito meses acusa 0,4 g/l. Está em infração, porque está em regime probatório — os três primeiros anos da primeira carta — e o seu limite é 0,2 g/l, não 0,5 g/l. A partir de 1,2 g/l deixa de ser contraordenação e passa a crime, punido nos termos do artigo 292.º do Código Penal.
Sobre pontos, fixa o essencial: cada condutor começa com 12; uma contraordenação grave custa 2 pontos, ou 3 quando envolve álcool, telemóvel, excesso de velocidade em zona de coexistência ou ultrapassagem na passadeira.
Ultrapassagem e outras manobras
A ultrapassagem faz-se pela esquerda; pela direita só quando o veículo da frente assinalou mudança de direção para a esquerda e há espaço livre à direita. Antes de iniciar a manobra, o condutor tem de se certificar de quatro coisas em simultâneo: que a faixa está livre na extensão e largura necessárias, que pode retomar a direita sem perigo, que ninguém iniciou já uma ultrapassagem sobre si e que o veículo da frente não assinalou que vai ultrapassar um terceiro.
Exemplo resolvido
Ao ultrapassar um velocípede fora de uma localidade, que distância lateral mínima deve o condutor guardar? Um metro e meio, abrandando a velocidade. É o mesmo valor exigido a qualquer veículo motorizado que circule ao lado de um velocípede.
As proibições de ultrapassagem repetem-se de prova para prova: lombas, imediatamente antes e nas passagens de nível, imediatamente antes e nos cruzamentos e entroncamentos, imediatamente antes e nas passagens de peões e de velocípedes, curvas de visibilidade reduzida e locais de visibilidade insuficiente.
Paragem, estacionamento e distâncias
Este tema é quase todo feito de metros, e é por isso que se perde tanto ponto nele. Os números que mais aparecem são estes:
| Situação | Distância |
|---|---|
| Antes e depois de cruzamentos, entroncamentos ou rotundas | 5 m |
| Antes das passagens de peões e de velocípedes | 5 m |
| Antes de sinais que o veículo encobriria | 20 m |
| Antes das passagens de nível (estacionamento) | 10 m |
| Antes de postos de combustível (estacionamento) | 5 m |
| Fora das localidades, antes de cruzamentos, curvas ou lombas sem visibilidade | 50 m |
Exemplo resolvido
Pode um condutor imobilizar o veículo a três metros de uma passadeira para deixar sair um passageiro? Não. A proibição dos cinco metros antes das passagens de peões abrange a paragem e não apenas o estacionamento, precisamente porque o que está em causa é a visibilidade de quem atravessa.
Luzes, autoestrada e equipamento obrigatório
Os máximos iluminam pelo menos 100 metros e os médios até 30. É proibido usar máximos no cruzamento com outros veículos e a menos de 100 metros do veículo que segue à frente — encandear com máximos é contraordenação muito grave. De dia, os médios são obrigatórios em túneis sinalizados e em vias de sentido reversível, e os motociclos e ciclomotores circulam sempre com médios.
Exemplo resolvido
Um veículo avaria numa autoestrada. Onde deve o condutor colocar o triângulo de pré-sinalização? A pelo menos 30 metros da retaguarda do veículo e de forma a ser visível a 100 metros, envergando o colete retrorrefletor. E na autoestrada é proibido parar, estacionar, inverter o sentido de marcha, fazer marcha atrás e transpor os separadores.
Fecha o tema com os documentos: identificação pessoal, título de condução, certificado de seguro, documento de identificação fiscal quando não conste da identificação, e ainda, para os automóveis, título de registo de propriedade, documento de identificação do veículo e ficha de inspeção quando obrigatória.
Como treinar estes temas
A forma mais eficaz de usar esta lista é fazer testes completos no formato real — 30 perguntas, máximo 3 erros — e depois voltar ao tema em que falhaste, em vez de repetir o teste inteiro. Cada teste do site mistura os temas como o exame faz, e cada pergunta traz a explicação e o artigo da lei ao lado.
Se preferires atacar pergunta a pergunta, as perguntas explicadas isolam as armadilhas mais clássicas — a prioridade na rotunda, a taxa de álcool no regime probatório, a distância lateral aos ciclistas — e mostram por que razão cada opção errada é errada.
Perguntas frequentes
- Existe uma lista oficial com todas as perguntas do exame de código?
- Não. O artigo 42.º do Regulamento da Habilitação Legal para Conduzir proíbe a divulgação das imagens, perguntas e respostas das bases de dados do IMT, exceto quando um candidato que reprovou consulta as questões que errou. O IMT publica apenas exemplos, para dar a conhecer o estilo dos enunciados.
- Que temas saem mais no exame de código?
- Sinalização e hierarquia dos sinais, cedência de passagem e rotundas, limites de velocidade, álcool e regime probatório, ultrapassagem e manobras, paragem e estacionamento, luzes, autoestrada e ainda cintos, crianças e documentos obrigatórios.
- As perguntas do exame têm imagens?
- Muitas têm. A lei prevê que as questões sejam apoiadas, sempre que possível, em figuras ou imagens de situações de trânsito apresentadas na perspetiva do condutor.
- Quantas opções de resposta tem cada pergunta?
- Entre duas e quatro, e apenas uma está certa. A resposta assinala-se por toque no monitor e pode ser alterada antes do fim da prova.